sábado, 12 de junho de 2010

OS TEXTOS QUE LEMOS QUANDO A AMNISTIA INTERNACIONAL VEIO À SALA DE AULA


A indiferença

Primeiro levaram os comunistas,
Mas eu não me importei
Porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,
Mas a mim não me afectou
Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,
Mas eu não me incomodei
Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez
De alguns padres, mas como
Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim
E quando percebi,
Já era tarde.

Bertolt Brecht



“ Quinta-feira, 19 de Novembro de 1942
(…)
Mr. Dussel contou-nos muita coisa sobre o mundo lá fora, de que fomos afastados há tanto tempo. Trouxe notícias tristes. Incontáveis amigos e conhecidos foram levados para um destino terrível. Noite após noite, veículos militares verdes e cinzentos percorrem as ruas. Batem a todas as portas, perguntando se lá vive algum judeu. Se sim, a família inteira é imediatamente levada. (…) É como a caça aos escravos dos velhos tempos. (…) À noite, quando escurece, vejo muitas vezes longas filas de pessoas boas e inocentes, acompanhadas de crianças a chorar, caminhando sem parar, sob as ordens de uma mão-cheia de homens que as empurram e lhes batem até quase caírem. Ninguém é poupado. Os doentes, os velhos, crianças, bebés e mulheres grávidas – são todos obrigados a marchar para a morte.
(…) Assusto-me quando penso em amigos íntimos que estão agora à mercê dos monstros mais cruéis que alguma vez pisaram a face da Terra.
E tudo porque são judeus.
Tua, Anne
in, O Diário de Anne Frank